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Jornal do Brasil

Vasco da Gama
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A mão mole que balança o Vasco

Por Claudio Fernandez

Não acredito em faixas nas arquibancadas, sobretudo nas mais bem produzidas. Cartolinas repletas de garranchos, feitas às pressas por um único torcedor, costumam ser muito mais confiáveis e genuínas. Os cartazes e os “outdoors” estendidos em São Januário na partida contra o Internacional, na última quinta-feira, pareciam trazer em seu verso interesses inconfessáveis.

Da mesma forma, não pago um tostão pelas recentes notícias sobre uma eventual aproximação entre Roberto Dinamite e Eurico Miranda. O torcedor mais arguto certamente já terá percebido quem é o grande beneficiado pelo vazamento da suposta coalizão. Certamente, não é o presidente do Vasco. Espantou-me, por exemplo, a plácida, comedida e conciliadora entrevista concedida por Eurico à edição do jornal Lance no último sábado. Só faltou uma foto com um broche do Roberto na lapela. Mais conveniente, impossível.

O fato é que o maior centroavante da história do Vasco está na defensiva, acuado, encolhido no canto da sala. Roberto Dinamite está sob ataque. Ataque da oposição, da oposição que era situação até pouco tempo, dos resultados do time, da torcida. Mas está, principalmente, sob ataque de si próprio. Roberto sabotou a si mesmo, foi o roedor de sua gestão e praticamente decretou seu futuro como dirigente do Vasco.

Roberto está pagando a conta pelos erros que cometeu. E foram tantos, e ainda são tantos. Pelos tantos favores que fez (a mais fácil, e pior, forma de se desagradar alguém é querer agradar a todos), por ter se cercado, em sua maioria, de pessoas de duvidosa competência, por ter misturado interesses políticos e legislativos com os do clube, por ter feito do Vasco a sua família e vice-versa, pela falta de habilidade e apoio para enfrentar o motim que se armava no epicentro de sua diretoria – se é que conseguiu, ao menos, identificá-lo.

Roberto errou ao perder jogadores importantes – com o atenuante de que, hoje, quem menos tem poder sobre o futuro de um atleta é o clube; o rico coitado é empacotado e enviado via FedEx para qualquer parte do mundo por empresários, agentes e as dezenas de proprietários do seu passe. E errou mais ainda ao não conseguir contratar qualquer jogador de bom, apenas bom nível.

E, acima de tudo, Roberto errou por ser Roberto, sujeito de fala convenientemente mansa; de sorriso nervoso, feito aluno de quarta série que não consegue responder qual é a capital da Bahia e logo será cruelmente apupado por toda a turma; de punho e pulsação frágeis; da mão de esqueleto, incapaz de bater à mesa com firmeza, sob o risco de se esfarelar em centenas de ossos.

Roberto ainda tem dois anos de mandato. Terá ele força para se recuperar, retomar as rédeas administrativas do clube e chacoalhar o futebol, depois do desastroso e vergonhoso segundo semestre, ou o Vasco está fadado a ter uma gestão tocada a mãos de esqueleto?

Postado por claudiofernandez às 23:47 | Comentar

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Vasco sobra no Campeonato Brasileiro

Por Claudio Fernandez

A natureza de um homem é soberana. Por um instante, Roberto Dinamite parecia estar mais próximo do dirigente idealizado pelo torcedor vascaíno. Bem ou mal, em meio às inevitáveis indicações políticas, conseguiu criar feudos de competência nas vice-presidências do clube. Contratou aquele que, na ocasião, já era o mais cobiçado dirigente profissional de futebol do país, Rodrigo Caetano, cuja soberba é proporcional à qualidade de seu trabalho.

Aos poucos, depois de muito joio e algum trigo, supreendentemente, o Vasco montou sua melhor equipe em uma década. Um time que ganhou a Copa do Brasil e disputou o título da Sul-Americana, do Campeonato Brasileiro, do Carioca e da Libertadores. Um time que conquistou a confiança e a empatia do torcedor. Um time que, neste momento, muito provavelmente estaria brigando por uma classificação direta para a Libertadores ou – por que não? – até mesmo pelo título.

Mas a natureza de um homem, mais cedo ou mais tarde, determina o seu destino e o daqueles que estão a seu lado. A tibieza, a obsessiva necessidade de agradar a todos, as limitações cognitivas, os vícios adquiridos em mais de 20 anos enfurnado na politiquinha fluminense, cada vez mais nas mãos dos “Juca da Pipoca”, “Cidão de Saquarema”, “Toninho do carro-pipa”, os favores pessoais, os laços familiares, que grudam, feito limo, nas pilastras das sociais e nos úmidos corredores de São Januário, são causa e efeito da natureza do homem chamado Roberto Dinamite.

Em poucos meses, Dinamite conseguiu, por ação ou por omissão, iguais em módulo, esmigalhar a espinha dorsal do departamento de futebol, que, na verdade, atendia pelo nome de Rodrigo Caetano, derrubar praticamente todas as hastes de sua sustentação política e assistir a uma renúncia quase coletiva de seus vice-presidentes.

Conseguiu implodir um dos melhores times do Brasil (o Vasco foi o único, rigorosamente o único dos grandes a sofrer um êxodo de atletas na janela do meio do ano), perder de vez o controle sobre as finanças, dispersar o bom ambiente que cercava os jogadores e, sobretudo, esfarelar a confiança do torcedor.

O presidente de um clube – como de resto, todo aquele que está no topo de qualquer cadeia de comando – não é o responsável por tudo que acontece em sua capitania. Mas é o responsável pelos responsáveis por tudo aquilo que acontece em sua capitania. Portanto, Roberto errou pelo que fez ou pelo que não fez, ou muito provavelmente por ambas as variáveis. Está pagando por isso e aquilo. E o clube, pagando muito mais.

O Vasco de hoje é a soma das sobras de uma diretoria com as sobras de uma equipe com as sobras de uma estrutura.

O Vasco sobra no Campeonato Brasileiro.

Só o que não sobra mais é a confiança do torcedor.

O ano acabou!

Apenas este?

Postado por claudiofernandez às 0:23 | Comentar

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