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Flu pode estar a um ponto da Libertadores

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O Fluminense venceu o Criciúma e, no empate com o Coritiba no Maracanã, deixou escapar dois pontos dos nove que nos fariam voltar a sonhar com Libertadores.

Fomos a Goiânia, saímos atrás pela quinta rodada consecutiva e, mais uma vez, conseguimos virar. São duas vitórias seguidas fora de casa, ambas de virada e entremeadas por um empate do qual, dadas as circunstâncias da partida, não podemos reclamar.

São oito pontos para o Atlético-PR, nove para Botafogo e Grêmio. Os três disputam a Copa do Brasil e decidem a classificação em casa após empate no jogo de ida – no caso do Botafogo, por ser um clássico regional, não existe mando de campo. São favoritos para passar às semifinais, que terão ainda o vencedor do confronto entre Vasco e Goiás. Se um desses três times for campeão da Copa do Brasil, abre-se uma vaga para a Libertadores e, nesse caso, Vitória e Internacional têm hoje 34 pontos. O Atlético-MG, com 35, já está na Libertadores 2014 por ser o atual campeão da competição. O Flu, vejam bem, pode estar a um ponto da Libertadores.

A nova Copa do Brasil, que foi apontada como nossa grande esperança de disputar a América em 2014, pode mesmo acabar nos dando, ainda que por linhas tortas, a chance de disputar a Libertadores com Darío Conca no ano que vem.

O sonho dessa Copa do Brasil acabou no mesma Serra Dourada onde, sábado, voltamos diferentes para alcançar a quarta vitória em sete jogos invictos, conquistando 15 pontos dos 21 disputados em setembro – aproveitamento inferior somente ao do líder Cruzeiro no mesmo período. Do dia 28/08, quando perdemos por 2×0 em falhas de Willian e Julião, até o dia 28/09, quando vencemos com o belíssimo gol de Sóbis no fim da partida, completando contra-ataque armado por Felipe e resolvido por Biro-Biro, o Fluminense viveu um mês de transformação. As duas noites no Serra Dourada marcam o pior e o melhor momento do novo Flu de Luxemburgo.

O gol da vitória em Goiânia é exemplar do que Luxemburgo conseguiu dar ao Flu, a característica que marca a diferença do Fluminense de hoje para o de Abel: velocidade. Falei bastante sobre isso no último post.

O contra-ataque que começa com Cavalieri e encontra um Felipe descansado, já que entra apenas no segundo tempo, para conduzir a bola e usar a qualidade que sabemos que tem para encaixar um passe precioso para o veloz Biro-Biro. Sóbis, por sua vez, pode aparecer na pequena área para completar um contra-ataque porque é um centroavante mais leve que Fred, que, com o Flu se defendendo, provavelmente teria descido à nossa área para ajudar os zagueiros.

É matéria frágil e fugidia o que, no futebol, faz um time encaixar ou desencaixar, se perder ou se achar, crescer ou cair de produção. Mas não se pode negar a Luxemburgo o mérito de, desde o começo, ter buscado soluções diferentes. Eu fui contra a saída de Abel, a quem sou grato e admiro como tricolor, de quem gosto e por quem sinto uma empatia quase familiar, mas hoje reconheço que era mesmo o momento de mudar. O time estava acomodado, e o próprio Abel não parecia tanto querer mudar.

Achei que Luxemburgo era um treinador ultrapassado. Não gosto de sua pessoa, seus modos, sua identificação com os remadores do Leblon, mas acredito que minha opinião “profissional” ia para além dos elementos afetivos: eu de fato, com base nos seus últimos trabalhos, não o considerava apto a empreender a reinvenção de que o Fluminense precisava. Luxemburgo, porém, me surpreendeu. Fez mudanças, trocou jogadores, esquema, tentou de um lado, tentou de outro. Apostou na base e, como Cuca em 2009, parece, no balanço entre juventude e experiência, entre posse de bola e velocidade, estar também encontrando um time.

O final, em 2009, todos lembram. Agora, para irmos a Libertadores, estando a um ou oito pontos da vaga, precisamos primeiro sair do bolo.

Ainda não vencemos o Botafogo em 2013; perdemos, na verdade, jogos importantes. Agora é hora de aproveitar o nosso melhor momento, vencer e declarar intenções. O jogo de quarta vale muito.

O Fluminense tem pela frente uma sequência terrível, mais ou menos a mesma que derrubou Abel no primeiro turno. Botafogo, Inter, Vasco, Grêmio e Cruzeiro. Se, daqui a cinco rodadas, a Libertadores for ainda um sonho possível, o fim de ano tricolor pode, no fim das contas, não deixar a desejar em emoção. E aí, então, começará a soar a pergunta: será que Fred volta?

Postado por pedrolerner  | Comentar

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9 pontos e um sonho possível

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Tenho para mim que, nessa semana que começa, o Fluminense joga suas últimas esperanças de disputar a Libertadores em 2014.

Há duas semanas, quando perdemos por 2×0 para o Santos no Maracanã alguns dias após a eliminação da Copa do Brasil frente ao Goiás, parecia claro que, em 2013, não haveria muito para o Tricolor além da já conhecida batalha contra o rebaixamento. Naquela noite de sábado jogamos sem garra, sem inspiração, sem organização tática; perdemos Fred, nosso capitão e referência, possivelmente por todo o resto da temporada.

Não é que, nessas duas semanas, tudo tenha mudado. O Flu continua uma equipe frágil atrás e mediana do meio para a frente, mas Luxemburgo parece finalmente ter conseguido conferir ao time a característica com que esteve obcecado desde que chegou às Laranjeiras: velocidade. Fui contra a saída de Abel, mas reconheci algumas vezes aqui que o Tricolor do primeiro semestre era um time engessado e que ele, Abel, não parecia suficientemente empenhado em mudar essa situação.

Não gosto de Luxemburgo. Sua figura me desagrada, seu comportamento à beira do campo me envergonha e seus resultados nos últimos dez anos não o credenciam a dirigir o Fluminense. Isso para não falar de sua professada identificação com aquele clube no Leblon.

Mas é preciso reconhecer que, nesse breve período desde sua chegada ao Flu, ele vem procurando alternativas e se esforçando para reinventar a equipe num momento difícil. O Flu perdeu Fred, conquistou 8 pontos dos últimos 12 possíveis e, a essa altura, já não será exagero dizer que Luxemburgo vem fazendo um bom trabalho de renovação à frente do Tricolor.

Dar velocidade ao time foi sua prioridade desde o primeiro dia no comando e, para tal, sua principal estratégia ficou clara também de início: recorrer a Xerém, a base tão cantada como uma das melhores do Brasil, tão valorizada por Peter mas tão pouco utilizada por Abel. Era natural, claro, que uma equipe campeã nacional no ano anterior tivesse credibilidade com seu técnico; o erro de Abel, no entanto, foi demorar a perceber a necessidade de buscar novos caminhos. Luxemburgo entrou para mudar.

E o Fluminense, como a moça do Chico Buarque, tá diferente. Diferente do de Abel, mas diferente também daquele que, com Luxemburgo, parecia no limbo entre o que deixara de ser e o que ainda não era.

Algumas coisas contribuíram para o resgate da velocidade: a volta de Rhayner; a própria lesão de Fred; o advento de Rafinha, volante que Vanderlei inventou como ponta, e a ascensão de Biro-Biro; o amadurecimento da ideia de que Felipe deve jogar o segundo tempo, defendida com acerto e propriedade por Luxemburgo na coletiva de sábado; e a subida de produção de Wagner, que, embora ainda não seja o armador de que precisamos, passou a conectar os setores com mais rapidez.

A melhora do Fluminense se deve também ao desempenho de dois jogadores que, na ausência de Fred e numa situação de pressão, assumiram responsabilidades e passaram a liderar a equipe: Gum atrás, Sóbis na frente.

Gum cumpriu nas últimas semanas uma série de atuações seguras e contundentes que fizeram lembrar seus melhores dias, e Sóbis, no comando do ataque, se transformou em nossa principal arma ofensiva. Edinho não vem jogando tão mal quanto dizem e, no último sábado, fomos brindados com, quem diria, uma belíssima atuação de Fábio Braga, a primeira grande exibição do Gérson Destro com a camisa do Fluminense. Que lançamentos!

Anderson, por sua vez, vai mal. Bruno e Carlinhos vêm cumprindo atuações corretas, mas podem render mais. E Cavalieri, após algumas boas partidas, reacende em nós a esperança de termos de volta o goleiro brilhante de 2012.

O Flu não foi brilhante em Belo Horizonte ou em Curitiba, mas se recusou a perder confrontos difíceis e reacendeu a chama do time copeiro e batalhador. A vitória sobre a Portuguesa, numa noite de sábado que nada teve a ver com aquela triste e melancólica de duas semanas atrás, traz de volta alguma esperança de que o ano possa ser um pouco mais divertido do que vem se anunciando.

Fugir do rebaixamento ainda é a meta a curto prazo, mas 9 pontos nos separam do Atlético-PR com 17 rodadas pela frente. O Flu enfrenta nos próximos dias Criciúma e Coritiba e, como sonhar não custa, acho que 6 pontos nessa semana serviriam para reavivar a memória de 2011, quando uma arrancada no segundo turno nos levou ao terceiro lugar e à Libertadores no ano seguinte.

Na foto acima Sóbis comemora o seu segundo gol contra o Atlético-GO, em 2011, quando vencemos em Volta Redonda após estarmos perdendo por 2×0 até os 38 minutos do segundo tempo. Era a vigésima primeira rodada, a mesma desse último fim de semana e, com a vitória, o Fluminense ficava ali a 5 pontos da zona da Libertadores.

Postado por pedrolerner  | Comentar

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Uma triste noite de sábado no Maracanã

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Foi triste a noite de sábado para nós tricolores.

A ressaca da atuação vergonhosa no Serra Dourada trouxe um Fluminense apático e impotente, envolvido no Maracanã por um Santos medíocre e derrotado com mais uma falha gritante de Cavalieri, o paladino sagrado em quem, aos poucos, vamos melancolicamente deixando de confiar.

Pior ainda foi ver Fred, o artilheiro que ainda nos remete a dias melhores, se arrastando em campo por 30 minutos em que o jogo já se decidira, sem condições de jogar mas incapaz também, enquanto capitão, de deixar o campo e abandonar seus companheiros num momento tão delicado.

Fred que não fez rigorosamente nada contra o Goiás e tampouco antes de se machucar frente ao Santos, e que desde a Copa das Confederações vem aparecendo muito mais em jornais e revistas do que marcando gols pelo Fluminense. Até em novela, ao que parece, Fred vai fazer uma ponta. Tudo bem, desde que esteja fazendo gols; se a fase em campo é ruim, no entanto, melhor dar um tempo e buscar a volta das atuações decisivas para, aí sim, aparecer onde quiser.

A eliminação da Copa do Brasil, sacramentada numa noite para se esquecer em Goiânia, entra, quer se queira quer não, na conta da ingenuidade e má formação dos nossos meninos. William se atirou por uma falta que não houve e Julião, à frente de Walter quando os adversários avançavam em bloco pelo contra-ataque que buscavam encaixar, preferiu jogar o corpo no gordinho a seguir em direção à bola. Seu pedido de falta, quando a imagem mostra sua intenção de forma tão nítida, chega a ser ridículo.

O mesmo Julião que, contra o São Paulo, assistiu imóvel ao gol do lateral Reinaldo.

É claro que, sempre que se trata da utilização de jogadores jovens em momentos ruins de um grande clube, o bom senso manda pensar duas vezes antes de crucificar os garotos por atuações ruins ou erros individuais. Mas falhas como essas tem de ser apontadas porque mostram erros de princípio e não somente de execução. Os jogadores do Fluminense, no Serra Dourada, buscaram sempre o corpo de Walter e demais adversários, esquecendo-se que no futebol se corre sempre e em primeiro lugar em busca da bola.

Sobre as simulações, como as de William e Julião, muito se vem falando: são um vício persistente e irritante do jogador brasileiro. E, diga-se de passagem, estimulado pela arbitragem condescendente de juízes que preferem apitar qualquer coisa para não se complicarem, de modo que a arbitragem de Luis Flávio de Oliveira, pateticamente ironizada por Luxemburgo, merece na verdade todos os elogios por sua coragem. A maioria dos juízes teria marcado a falta de Walter sobre Julião e, embora ajudando o Fluminense, eles estariam errados.

Luxemburgo não me parece ser exatamente o culpado pela situação preocupante em que se encontra o Fluminense. O time sofreu perdas, já perdera o rumo com Abel e, entre incoerências e riscos excessivos, Vanderlei parece ao menos estar saindo de sua zona de conforto na busca de um time que funcione.

As variações, no entanto, são por enquanto inócuas – não faz diferença Wagner, Eduardo ou Felipe, e nem mesmo ter um ou dois deles em campo, se nenhum é capaz de criar uma jogada sequer; muda pouco ter Edinho, Diguinho, William ou qualquer outro se todos são incapazes de acertar passes ou se deslocar com inteligência. Tampouco parece haver diferenças dramáticas entre Rhayner, Samuel, Biro-Biro, Kenedy, Samuel… Da zaga nem preciso falar.

No fim das contas parece improvável que Luxemburgo, após tantos anos perdido como treinador, seja o homem certo para tirar o Fluminense da enrascada em que se meteu. Não temos um time, não temos um esquema tático e não teremos Fred por sabe-se lá quanto tempo.

Postado por pedrolerner  | Comentar

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