Os telespectadores do Globo Esporte-Rio de Janeiro já conhecem e apreciam o enorme talento do jovem “ChicoTorcedor”, quadro protagonizado por Francisco Rezende, filho de Sidney e Maria Adriana Rezende- o primeiro, jornalista de renome; a segunda, escritora e festejada blogueira, conhecida na Grande Rede pelo pseudônimo Marina W.
Deu-se que no dia 22 de março próximo passado, o humorista lembrou o que toda a gente sabe, i.e, que o Fluminense FootballClub não tem ídolos.
Este blogueiro mesmo já definira no post de 22.10.2011 “ídolos” da maneira seguinte:
” Ídolo é o que o Fluminense nunca teve. Mestre da bola cuja carreira se identificara fundamentalmente a um único time.”
O fato de Garrincha, Roberto Dinamite e Zico terem jogados em outros clubes não tem o condão de lhes retirar o status de ídolos em seus times, os quais não citaremos por desnecessário.
Ainda que não fosse incontroversa a constatação da ausência de ídolos no tricolor carioca, fato é que jamais a Globo poderia interferir na arte do ChicoTorcedor como sucedera em 23 de março p.p.
Com efeito. A direção tricolor de Esportes da Globo ficou injuriada e determinou- valendo-se da mesma singeleza que o colégio Santo Inácio nos anos setenta convidou meu irmão primogênito a se desligar daquela instituição- que o rapaz fizesse novo quadro esclarecendo que a coisa não seria exatamente nesses termos. Vejam, estimados leitores, que a onda do Chico é jamais precisar de quem quer que seja para antagonizar seu humor, por isso que ele se basta para o que pretende, mas tal assim não ocorrera no dia seguinte quando um ator de “melhor idade” fora instado a desdizer a história do dia anterior com suposto ar professoral.
Confiram:
Pior: Deram ao jornalista Alex Escobar a missão impossível de emendar o soneto, como se vê na sequência do vídeo, quem, constrangido, lera texto patético que cita inúmeros craques tricolores, sempre ausente o ídolo na acepção cantada pelas ruas. Seria mais digno se o diretor da ordem chinfrim assumisse publicamente a autoria da repressão.
O que houve, portanto, foi uma absurda, tenebrosa, esdrúxula, inquisitorial e vexaminosa interferência artística. Ou alguém em sã consciência crê que o próprio humorista desejou rever sua piada? Ficou o recado que na Rede Globo não há jamais se mexer com o Fluminense sem consulta prévia à chefia tricolor acerca da viabilidade da piada.
O diretor de Esportes da Globo, o jornalista Sidney Garambone, fica doravante convidado, em nome de sua Corporação, para vir a este blog Acima de Todos, quando quiser, infirmar a presente acusação, se puder, ou nominar de quem emanara a ordem ditatorial, já que o Globo Esporte, respeitável programa, restou coletivamente maculado ideologicamente como afrontador da liberdade de expressão, mácula que talvez pudesse ser destinada para apenas um único déspota.
Um requisito básico para avaliar se um pavilhão social pode figurar no rol dos grandes escretes é pesquisar se o mesmo já foi escovado por mais de dez tentos. Se nossas mãos, amados leitores, não bastarem para contabilizar os gols sofridos num único match, estaremos indubitavelmente diante de um time guri, por vezes travesso, mas sempre guri, fato que, registre-se, não o macula em sua dignidade.
Eis o caso do time do manequinho que fora massacrado pelo América Futebol Clube por 11×2, em jogo oficial válido pela última rodada do Campeonato Estadual de 1929, o que se vê abaixo através de imagens exclusivas jamais então lançadas na Rede Mundial de Computadores, pois, ao contrário do Blog botafoguense, a equipe do Acima de Todos não pesca no Facebook, mas o alimenta.
Naquele 1929, o Clube de Regatas do Flamengo se houve mal e terminou no penúltimo posto. Mesmo sem pretensões, o time se entregou ao máximo na última rodada quando perdeu para o Vasco por 1×0, ao contrário do Botafogo que, também alijado de qualquer disputa, se entregou ao mínimo na semana seguinte diante do América, postura que coloca em xeque a ponderação sobre dignidade lançada na última linha do primeiro parágrafo do presente artigo. A título de informação, registre-se que o Vasco ganharia o certame após três jogos-desempate contra o AFC.
Vejam, a propósito, que BFR e CRF se aplicaram mutuamente sonoras goleadas. Em 1926, ano que deu São Cristóvão na cabeça, o mais querido deu um sapeca-iaiá de 8×1 sobre o BFR, que no ano seguinte se vingaria devolvendo a mesma diferença de gols, vencendo por 9×2. Tão vexatória fora esta derrota rubro-negra que os atletas, pressionados pela torcida, fizeram pacto para alcançar o campeonato, tendo a massa flamenga, na rodada seguinte, no mesmo dia em que Lampião iniciava a invasão a Mossoró, batido o FFC nas Laranjeiras, vitória que se faria fundamental para o título carioca quatro meses depois, haja vista a diferença mínima de pontos ao fim do Torneio.
Reis do Cangaço que invadiram Mossoró. No mesmo dia do cerco, os Reis do Rio abriam caminho, em terreno inimigo, para o caneco de 1927.
Conclusivamente, temos que o fato de ser goleado se revela tropeço natural na história dos grandes clubes. Perder de mais de dez tentos, entretanto, só para os eternamente fracos, marca que também caracteriza o caçula bandeirante, o Santos Futebol Clube pisoteado por 11×0 pelo SCCP. No próximo capítulo sobre o Íbis carioca, analisaremos as brutais consequências do jejum vintenário, de resto uma outra marca que peculiariza o escrete da baixada santista.
Na véspera de decisão de Taça Rio de 2012, o blog do Botafogo Futebol e Regatas, honrando sua histórica pauta que atinge, debalde, a incrível marca de 90% de temas flamengos, oferta aos leitores do Jornal do Brasil o artigo que segue:
“Quem foi que disse que o Flamengo sempre foi time grande?”, onde se vê redigido:
“ Vejam ilustres amigos do Blog o que acabei de pescar no facebook. Enquanto o Botafogo vencia a seleção da URSS em Caracas, o Framengo(sic) se preparava para ENFRENTAR o Tupi de Juiz de Fora. E deu no JB!
matéria que ilustra o artigo do Blog botafoguense.
E por falar em excursão, alguém aí sabe quando será o primeiro amistoso do Framengo cobrando 1 milhão?”
Como se vê, o texto é de todo vago, sob prejuízo dos leitores, impondo-se, por isso, que este jornalista explique os fatos deliberadamente omitidos-quiçá por ignorados- pelo blogueiro-pescador, contextualizando ao final a matéria para inverter por completo o raciocínio equivocado lançado impunemente.
Seguem, pois, algumas dicas jornalísticas ao blogueiro botafoguense, quem, a todo instante, mostra seu diploma de graduação – talvez na crença que fosse necessário fazê-lo – e indaga qual Faculdade de Jornalismo o Messias rubro-negro (jornalista não diplomado) teria cursado, esquecido aquele da proteção constitucional:
Lição Primeira: Informação
Ao jornalista jamais é dado se distanciar da informação. Quando se deram os fatos da matéria: 1966, 1969, 1972? Que diacho de jogo foi esse do Botafogo? Ora, todo jornal tem data, “mesmo os pescados no Facebook”. Vê-se, portanto, o total desinteresse do blogueiro alvinegro em buscar quando teria sido tal match contra os soviéticos, se desincumbindo de informar aos aficionados alvinegros sobre tal façanha. Mas o caso se revela ainda mais grave, haja vista que a matéria foi publicada no… Jornal do Brasil, casa que alberga o blog Acima de Todos e o ora em cotejo.
Segunda Lição: Arregaçar as mangas
Como visto, bastaria ao ilustre blogueiro abrir nossos arquivos refrigerados – também à disposição do público. O jornalista flamenguista poderia ajudá-lo no atinente, mesmo a Martinha ou o Caranguejo ofereceriam apoio ao botafoguense. A burocracia existe, é verdade, mas nós somos da casa JB, e andamos lado a lado (até mesmo o Caranguejo).
Terceira Lição: Aguçar o olhar periférico
Vê-se na foto do jornal do JB postado pelo blog alvinegro que (i) entre as notícias do Botafogo (fonte maior) e do Flamengo há uma grande foto de jogadores, supostamente do Botafogo; (ii) que ao lado direito da notícia do Flamengo há a coluna “Na Grande Área”, do saudoso Mestre Armando Nogueira, e (iii) do lado esquerdo há uma pequena coluna intitulada “Súmula” que trata de fatos menores. É claro que este jornalista, sabedor do que se passou no verão de 70 com o “mais querido”, tratou de fuçar os arquivos da redação para trazer os fatos como se deram, sendo que os três itens numerados neste parágrafo serão lembrados novamente neste texto.
Quarta lição: Contextualizar tempo e espaço e conjugar tal binômio ao fator relevância
Se o post do blog do Botafogo trata de um feito alvinegro, parece-nos relevante esmiuçar o tema. Simples assim, embora tal não tenha sido feito.
O verão carioca de 1970
Rememoradas as quatro lições básicas, honremos os 1.600.000 e 38.000.000 de leitores botafoguenses e rubro-negros respectivamente, certamente curiosos para bem depreender os fatos.
Com efeito. A edição do Jornal do Brasil do post alvinegro é a de 05.02.1970 e nos traz o botafoguense Armando Nogueira ignorando o torneio de Caracas(Sim, a vitória alvinegra sobre os soviéticos se dera num torneio), reverberando a eliminação havida no México como se vê nas imagens-sem letras miúdas-que seguem.
Nunca é demais lembrar. Este artigo do Armando Nogueira é da mesma página do post botafoguense... "pescado no Facebook"
A vexatória campanha alvinegra registrada acima pelo mestre acreano se dera no torneio Pentagonal da Cidade do México que naquele ano de 1970 atingiu seu ápice pelo clima de Copa do Mundo que se espraiava por todo o país. O Botafogo terminou na lanterna o troféu vencido pelo Partizan, sendo que o quarto lugar coubera ao Spartak de Praga, um dos três componentes no Torneio de Caracas que se iniciaria três dias depois na esteira da conexão do voo alvinegro de volta ao Rio de Janeiro. Então fica o registro fundamental que a Triangular de Caracas jamais tivera o condão de apagar a vergonhosa campanha alvinegra no México, daí a indignação de Armando Nogueira (bem ali na mesma página do JB), quem não se dobra a consolos venezuelanos.
Voltando à imagem do jornal daquele 05.02.1970, vê-se alguns jogadores fotografados abaixo da Nota sobre a vitória alvinegra. Seriam os craques do BFR num treino em Caracas? Decerto que não. Se o sub-título trata de “Treino com alegria” claro que se trata do Flamengo. As letras miúdas, agora reveladas, dizem o seguinte: “Zanata, a revelação do Flamengo, foi o mais atingido com as brincadeiras dos colegas do treino de ontem“. Mas alto lá. Se o jogo com o Tupi realmente era um amistoso, por que tamanha badalação com foto de destaque? Dois motivos: o Flamengo se preparava para um torneio que pararia o Rio de Janeiro a se iniciar em poucos dias e (ii) e o amistoso contra o Tupi atiçaria Juiz de Fora, reduto rubro-negro sendo que o Flamengo ainda receberia “NCR$ 15 mil livres de despesas”.
Deu-se que o Flamengo venceu o Tupi por 1×0 e voltara confiante para o Quadrangular Internacional de 1970, que contava com (i) a maior seleção romena da história, a qual perderia de 3×2 para o Brasil alguns meses depois, na Copa do Mundo, (ii) o poderoso Independiente, já campeão do mundo e bicampeão da Libertadores e que seria, outrossim, bicampeão em 70-71 do campeonato argentino e ganharia quatro Libertadores de carreira entre 72 e 75 com a base enviada para o Rio em 1970, bem como (iii) o Clube de Regatas Vasco da Gama que venceria o estadual daquele ano.
Eis a perfomance memorável do Clube de Regatas do Flamengo pelas páginas do Jornal do Brasil: 4×1 sobre a Romênia, 6×1 contra o Independiente e 2×0 em face do Vasco diante de mais de 114 mil espectadores.
Toda a Romênia escala de cor esse escrete que perdera de 3x2 para o Brasil na Copa do México. Com o mais querido, não houve misericórdia. 4x1 de virada com show de Arílson.
Jogo histórico. Isso é Flamengo, ora bolas.
"Ô Skindô Lalá, Ô Skindô Lelê, olha só quem vem lá é o saci-pererê." Mais de 114.000 pessoas cantando o samba campeão da Portela que dias antes desfilaria triunfal na Presidente Vargas. Flamengo 2x0 Vasco
Embora tal título flamenguista tenha a pecha de que o ingresso dos clubes participantes se dera por convite, tal como o torneio Colo Colo de Verão de 48 em Santiago, percebe-se que o nível dos escretes era bem mais elevado. Dar de seis no Independiente, de quatro na mágica Romênia e ganhar redondinho do Vasco por 2×0 num Maracanã lotado saudando o campeonato da Portela realmente é memorável , em que pese os tristes tempos de chumbo.
E o lanterna do Pentagonal mexicano? Bem, o Botafogo voltou para o Brasil e foi terminar em Juiz de Fora para enfrentar o Tupi, sequer logrando vencer, tendo o empate sendo registrado na coluna “Súmula”, aquela desimportante que citamos na terceira lição jornalística e que está também fotografada no artigo “pescado no Facebook” pelo blogueiro do BFR.
O jogo contra o Tupi foi no mesmo fevereiro de 1970 e vejam que não mereceu destaque. Coluna " Súmulas" para o BFR. Afinal não era preparativo para o inolvidável Quadrangular Internacional de 70, senão dizia respeito ao time que envergonhou a nação no México, e que estava no começo de um jejum de 21 anos.
Conclusão
A matéria do blogueiro alvinegro é um factóide divorciado da realidade, pois vende um cenário histórico divergente do real. Mesmo no auge do jejum de cinco anos de canecos estaduais rubro-negros (CRF ganhara em 67 e voltaria a ser campeão em 72), o Flamengo lotava o Maraca e alegrava a cidade por conta de uma conquista importantíssima. Não por acaso, naquela semana, a Loteria Federal saudava o mais querido, o time do povo.
Loteria Federal- verão de 1970
Em síntese, o “post pescado no Facebook” pelo blogueiro botafoguense representa um atentado contra os fatos, ignomínia que este jornalista campeão do mundo não poderia tolerar. Jamais.
A pequeneza botafoguense é aqui mostrada na veia sem omissão. Já a grandeza rubro-negra nem carecia ser lembrada, pois é vivenciada por todos. Sempre.