publicidade

Jornal do Brasil

Direito e Entretenimento

O poder de reinventar o mercado

Quero comentar uma notícia de hoje, sobre o aumento da arrecadação de direitos autorais com a realização de shows no Brasil, que registrou uma alta de 36,4%, em comparação com 2010.

A fonte, o próprio ECAD, atribui o crescimento à realização de grandes festivais e à presença de músicos do naipe de um Beatle, como o que cantou pelo país no ano passado e, ainda, ao fato de que nossa moeda anda forte.

Já a minha opinião não é a mesma do que a do Órgão Arrecadador, que simplifica um crescimento tão significativo em coincidências (realização de grandes espetáculos) e especulações econômicas que ainda não condizem com a realidade.

A movimentação das plateias para os shows, um movimento em franca expansão, a meu ver, está diretamente ligado a um novo valor que  vem sendo atribuído à intimidade, à pessoalidade, à presença, à proximidade.

Nessa nova dinâmica de mercado, a venda de discos não mais sustenta ninguém, já que quase todo mundo tem acesso às músicas, sem comprá-las.

No entanto, numa contrapartida às avessas, a demanda por apresentações ao vivo, daquelas músicas que tocam incessantemente em nossos .mp3 players e circulam em nosso mural de notícias nas redes sociais, é bem grande. A sensação é a de que somos íntimos daqueles artistas e quando eles estão na cidade a gente tem que ir ciceroneá-los, por assim dizer.

A demanda, na verdade, é enorme, quase que sedenta, ao ponto de já se ver por aí muitos modelos de “crowdfunding”  (numa tradução literal = financiamento pela multidão) em que os fãs se mobilizam para trazer seu ídolo para uma apresentação perto de seu domicílio.

O público quer o show. O público espera pelo show e paga o preço cobrado pelo produtor. Diga-se de passagem um preço bem salgado, conforme notícia de hoje também, de que o Brasil tem os shows mais caros do mundo.

Mas sem entrar no mérito do preço, por ora, fiquemos na questão que o ECAD nega. Nega a existência de uma proporcionalidade inversa, no que diz respeito ao aumento da arrecadação com shows e a diminuição da receita advinda da venda ou execução mecânica de fonogramas. Nega uma mudança no paradigma, no modelo.

Não adianta querer cobrar dos blogs por postarem música. Não é por aí que se vai recuperar o prejuízo trazido com a mudança dos tempos. Deixa os blogs falarem, deixa eles “cantarem” as pedras do caminho. E o povo segue o caminho. Diretamente para as casas de espetáculo, diretamente para onde o artista está.

Para ilustrar essa prosa toda, me veio à cabeça um camarada de Lancaster, Pennsylvania, EUA, chamado Denison Witmer. Ele tem platéia, que paga em torno de US$ 25,00 por cada par de música executada ao vivo, em um show privado que faz para seus fãs através de uma videoconferência via Skype. Isso não é incrível?

O que é incrível é aquilo que ninguém acreditava que seria possível e alguém vem e faz e mostra que é possível e, RENTÁVEL.

Isso sim é reinventar o mercado!

 

Compartilhe:

Postado por paulatupinamba às 18:04 | Nenhum comentário | Comentar

Tags: , , ,

Nenhum post relacionado.

Coprodução Brasil Portugal

Para quem estava interessado no edital BRASIL-PORTUGAL, da Ancine, fique sabendo que a Agência prorrogou até sexta-feira, dia 09 de setembro, o prazo para as inscrições do edital, que fomenta a coproduções entre os dois países, destinando R$ 300.000,00 para 2 coproduções.

Nesse link.

Compartilhe:

Postado por paulatupinamba às 15:50 | Nenhum comentário | Comentar

Nenhum post relacionado.

“Eu sou um pirata da perna de pau, do olho de vidro e da cara de mau”


Eu não gostava muito de pirata quando era criança. Essa musiquinha já era o suficiente para me assustar ao ponto de eu nem querer ver filminhos deste tema. Para se ter uma idéia, nem o sex  appeal do Jonny Deep me fez interessar pelos Piratas do Caribe.

Mas, desde que pirataria começou a ser associada com compartilhamento de cultura, eu passei a gostar mais dos ‘pernas de pau’. Ando tão identificada com os piratas que estou pensando em colocar um tapa olho e um lencinho na cabeça e sair por aí na próxima festa à fantasia.

Tem o pessoal do The Pirate Bay, né? Desses eu sou fã. Os caras são incríveis! Eles não desistem, apesar do amontoado de processos judiciais que existem contra eles, o site já “morreu e ressuscitou” algumas vezes, mas eles não desistem, continuam lá, firmes e fortes.

Sabe por quê? Por que a lutas deles é legítima. É digna. Não é hipócrita. A realidade é essa mesma. Nós pirateamos. Pirateamos não com a intenção de boicotar o artista (pobre artista!) ou de nos darmos bem. Pirateamos porque é normal piratear. É comum piratear. É mais fácil piratear. É mais rápido piratear.

Quando estou lendo uma crítica musical por exemplo, na mesma hora em que eu leio uma referência eu quero ouvi-la, assisti-la, ver como é, ouvir como soa. E eu não tenho à minha disposição imediata ofertas de DVD ou faixa de música para comprar, pois o artista pode nem  estar ainda no mercado brasileiro, por exemplo.

Prenda-me se for capaz, mas eu confesso que me utilizo de ‘formas piratas’ de adquirir aquela informação sonora, visual, textual ..

E não adianta querer “matar” o The Pirate Bay, ou qualquer outro site que permita a troca de arquivos. Por que eles são como o “clubinho” onde os meninos antigamente trocavam figurinhas. Sái um, vem outro. Troca de álbum, mas não perde o hábito.  A troca de arquivos é uma coisa normal para aqueles que já nasceram na era virtual.

O que acontece é que esse tipo de conduta/comportamento assusta ao conglomerado econômico que está preocupado com as perdas advindas da mudança de certos paradigmas e padrões que os mantinham com altos lucros.

A Revolução Técnológica está sendo seguida pela Revolução Cultural, onde os militantes da luta são chamados de piratas.

São poucos, ainda, os que batem no peito e dizem “Sou pirata até morrer!”, já que há uma campanha maciça apregoando que pirata é mau, pirata é ladrão, pirata assusta, igualzinho eu pensava quando era pequena. Essa indústria deveria usar o dinheiro do “combate à pirataria” para implantar soluções novas.

Eles envelheceram enquanto ainda eram jovens. Mas, se começarem a correr para o lado certo, ainda podem recuperar o viço da juventude e inverter o processo.

É só a minha humilde opinião de pirata.

 

Compartilhe:

Postado por paulatupinamba às 20:52 | 1 comentário | Comentar

Nenhum post relacionado.

Publicidade
Assine o RSS
Publicidade