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Jornal do Brasil

À Sua Saúde

Fila vazia para transplante de coração no Rio

Como presidente do Instituto Rio Coração – que tem a missão de transformar o Rio de Janeiro em um centro de referência brasileiro em transplante cardíaco e corações artificiais – venho, há muito tempo, discutindo a questão do escasso número de transplantes de coração realizados no Estado. Afinal, em 2010, fizemos apenas seis de um total de 166 em todo Brasil (São Paulo liderou com 76 transplantes, seguido por Minas Gerais, com 24). O ano de 2011 caminha para o mesmo resultado, com apenas quatro transplantes cardíacos no primeiro semestre.

É difícil acreditar no que vou dizer agora, mas o fato é que não há pacientes na lista de espera pelo órgão. Assim, não adianta termos a tecnologia de ponta e a capacitação médica reconhecida – como temos, realmente – para a realização do procedimento. E nem mesmo adiantaria se os hospitais públicos do Rio de Janeiro tivessem condições de identificar a tempo
e manter adequadamente os potenciais doadores, depois da morte encefálica.

Hoje, muitos corações saudáveis são perdidos e muitas pessoas morrem por não serem encaminhadas, pelos médicos, aos hospitais credenciados para a realização do transplante no Estado, como o Instituto Nacional de Cardiologia, no bairro de Laranjeiras.

Precisamos, com urgência, investigar por que os médicos não só do interior do Estado, mas da capital, continuam encaminhando seus pacientes para outras unidades da federação. Quais informações eles têm recebido sobre o assunto? Será que não sabem que uma das maiores cidades do país, hoje centro das atenções mundiais, tem toda a infraestrutura que seus pacientes precisam?

Só nos resta acreditar que a falha está nesse trabalho de conscientização, se é que podemos chamá-lo assim. Afinal, como pude comprovar, recentemente, a Central Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro tem funcionado bem no exercício de suas atribuições, que são, entre outras, receber as notificações compulsórias de morte encefálica em todo o Estado, coordenar as equipes de captação dos órgãos e tecidos doados, e coordenar a lista única de pacientes que aguardam por um órgão ou tecido, segundo critérios do Sistema Nacional de Transplantes.

Fazer chegar informações atuais, sobre a capacidade de realização de transplantes cardíacos no Estado, ao maior número de instituições de saúde fluminenses é um desafio que merece a atenção urgente de todos. E, claro, melhorar, e muito, a situação dos hospitais públicos.

Postado por flaviocure às 18:00

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