A ciência tem trabalhado arduamente para a melhoria da qualidade de vida animal, especialmente a humana. No último século o avanço foi considerável e os resultados são evidentes, por exemplo, com a elevação da expectativa de vida da população. Um dos principais deles se dá no desenvolvimento da tecnologia de utilização de células-tronco embrionárias, o que abriu um imenso campo para a pesquisa de tratamento e cura de diferentes doenças. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) regulamentou sua pesquisa desde 2008. Dessa forma, nos transformamos no 26o país do mundo a permitir essa atividade e o primeiro na América Latina.
Recentemente uma boa notícia neste setor veio do Ministério da Saúde, que anunciou a destinação de R$ 15 milhões para investimento em pesquisa e produção de células-tronco em escala comercial. Parte deste valore – R$ 8 milhões –será destinada à criação ou conclusão de centros nacionais de terapia celular, três deles, em Salvador (BA), Ribeirão Preto (SP) e Curitiba (PR). Outros R$ 7milhões serão investidos em pesquisas, cujos editais de utilização estão previstos para serem lançados ainda este ano.
Segundo o anunciado pelo governo a ideia é utilizar as células-tronco na rede pública em casos como os de recuperação do coração, esclerose múltipla e movimento de articulações. O conjunto da notícia é super positivo, pois permitirá- de acordo com as projeções do Ministério- para fornecer material também para aos hospitais privados, que hoje, assim como os públicos, têm que recorrer aos importados.
As células-tronco são espécies de células mãe, das quais outras se originam. Elas são produzidas durante o desenvolvimento dos organismos e podem ser de vários tipos. O uso de células-tronco derivadas da médula óssea, por exemplo, já tem resultados positivos no tratamento de doenças sanguíneas, como leucemia e anemias.
Em meados do ano passado o médico e pesquisador Nestor Schor, da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) anunciou na 26a Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FesBE), no Rio, seu estudo no qual as células-tronco são utilizadas para inibir o crescimento de doenças renais adquiridas como efeitos colaterais provocados pelo consumo de medicamentos processados pelo rim. Os estudos feitos com ratos mostraram que os rins lesionados tiveram recuperação a partir da injeção de células-tronco nos animais.
Entre os medicamentos que afetam os rins, estão os que tradicionalmente ministramos para doenças como artrite reumatoide, diabetes, lupos e esclerose múltipla, ou seja, os antibióticos e remédios imunossupressores.
Os estudos atuais apontam doenças como o câncer, na reconstrução de tecidos; o coração, na reposição de tecido isquêmico com células saudáveis e que possibilitem o crescimento de vasos sanguíneos novos; a reconstrução de ossos afetados pela osteoporose, a reposição de células hepáticas, a recuperação de pulmões e de cegueira, a partir da reposição das células da retina, entre muitas outras, como possibilidades concretas de serem tratadas com as células-tronco. Mesmo doenças como o mal de Alzheimer, para o qual a medicina tem dedicado grande atenção em busca de sua cura, encontra perspectivas positivas.
No início deste ano uma experiência inédita no mundo em uma terapia com células-tronco para estimular a regeneração de tecidos num infartado foi feita aqui no Brasil por uma equipe que reuniu médicos do Instituto de Ciências Biomédicas e do Instituto de Biofísica da UFRJ, do Hospital Pró-Cardíaco e do Texas Heart Institute. Os resultados são promissores assim como os anunciados por médicos do Instituto do Coração Cedars-Sinai, de Los Angeles, que conseguiram reduzir uma área do coração com células-tronco cardíacas fornecidas pelo próprio paciente e multiplicadas em laboratório.
Vamos torcer para que as pesquisas evoluam e que logo possam ter seus resultados aprovados para aplicação em humanos. De preferência em larga escala, para minimizar o sofrimento de grande parte da população.
Mas, para além do tratamento posterior, devemos fazer nossa parte e nos prevenir. Embora não seja uma garantia de estar livre de adoecer, quem leva uma vida saudável minimiza os riscos e potencializa as possibilidades de cura.
Uma campanha interessante e oportuna para reduzir a quantidade de exames e procedimentos médicos desnecessários foi lançada no mês passado nos Estados Unidos. A iniciativa da American Board of Internal Medicine Foundation (ABIM Foundation), batizada como Choosing Wisely, que em português seria “Escolhendo sabiamente”, deve ser saudada e – se possível – replicada aqui no Brasil. A ideia envolve redução de custos nos tratamentos médicos, ganho de tempo e menor exposição de pacientes a desconfortos e riscos.
Na base de tudo está a interação entre médico e paciente. A necessária retomada do estabelecimento de uma relação que se perdeu, por diferentes motivos, ao longo do tempo. Mas que ainda há tempo de recuperar. Seja nas camadas populares, com projetos como o “médico de família”; seja nas demais com maior dedicação dos profissionais a seus pacientes. Numa consulta, mais do que tentar resolver o problema imediato que é rapidamente indicado pelo paciente, o médico deve procurar entender os motivos dos problemas que o levaram ao consultório, para uma solução efetiva.
Uma boa conversa, uma investigação mais acurada pode substituir muitos exames que hoje são solicitados como que para despachar o paciente rapidamente e poder cumprir com a agenda extensa de consultas. A rotatividade provocada pela baixa remuneração, em especial devido às imposições dos planos de saúde, prejudicam médico e paciente.
Dessa forma, a tecnologia disponível, que possibilita exames de alta precisão- e também de altos custos- viram um paliativo, embora devesse ser empregada com mais parcimônia. Infelizmente, temos até casos extremos nos quais os profissionais não conseguem fazer uma leitura correta dos exames que eles mesmos solicitam.
A campanha nos EUA reuniu cinco grupos de especialistas para que indicassem os exames que médicos e pacientes devem questionar quanto à suas necessidades. O American College of Physicians indicou que a maioria dos pacientes que desmaia não necessita fazer uma tomografia computadorizada cerebral ou uma ressonância magnética. Se basearam em pesquisas que mostram que, quando não há evidências de convulsões ou de outros sintomas neurológicos, exames cerebrais não melhoram o prognóstico dos pacientes.
Já o American College of Cardiology indicou que pacientes saudáveis, sem sintomas cardíacos, não precisam se submeter a exames de imagem como parte de seus check-ups anuais. Neste grupo de pessoas, estes testes raramente levam a qualquer mudança significativa no tratamento.
Para o American College of Radiology os pacientes que têm uma história clínica e exame físico sem alterações não precisam de radiografia de tórax antes de fazer uma cirurgia ambulatorial. Na maioria dos casos, esta radiografia não muda o manejo da patologia do paciente e não melhora o prognóstico.
A American Academy of Family Physicians apontou que a densitometria óssea por absorção de dupla energia de raios X (DXA) não deve ser usada para triagem de osteoporose em mulheres com menos de 65 anos e homens com menos de 70 anos. Pesquisas mostraram que a DXA não parece ajudar pacientes nesta faixa etária sem fatores de risco para a osteoporose.
Enquanto a American Society of Nephrology disse que pacientes em diálise que tenham expectativa de vida limitada e que não apresentam sinais ou sintomas de câncer não devem passar por uma rotina de exames de triagem para o câncer. Estes testes não melhoram a sobrevida neste grupo de pessoas e podem resultar em um diagnóstico falso positivo, o qual leva a tratamento e estresse desnecessários.
Precisamos encontrar um novo padrão de atendimento médico. Será mais positivo para a saúde de todos.
Bom fim de semana e parabéns mamães de todo o Brasil.
Crianças também sofrem de problemas cardíacos graves e devem ter atenção acurada dos pais e médicos aos sintomas. Em média, oito de cada 1.000 crianças têm alguma má formação cardíaca. Naquelas acima dos quatro anos de idade, em geral, apresentam características semelhantes às dos adultos. Logo nos primeiros meses de vida, deve-se observar se apresenta, por exemplo, cansaço e respiração rápida; coração disparado ou dificuldades e pausas durante a alimentação no peito das mães.
Outros sintomas frequentes são a irritabilidade e um suor frio, especialmente na região da cabeça. Também são indícios a dificuldade de ganhar peso e quadros de desnutrição. Quando a criança já é maior e se locomove sozinha, a dificuldade a esforços é uma característica presente.
Para o diagnóstico é imprescindível o parecer de um médico, que solicitará exames clínicos que definiram ações terapêuticas específicas para cada paciente.
Em geral, nos lactente, as cardiopatias congênitas são as mais comuns e podem estar ou não associadas a fatores agravantes, como são arritmias, insuficiência respiratória, hipertensão arterial, hipervolemia e distúrbios metabólicos. Já nas crianças mais velhas, a insuficiência é pode ter como causa tanto as cardiopatias congênitas, como a febre reumática, a glomerulonefrite, miocardite e pericardite.
Entre os exames para identificação da doença estão a ecocardiografia, e o eletrocardiograma. O primeiro é fundamental no diagnóstico e permite ter clareza sobre o funcionamento do coração. Já o segundo é de grande valia na identificação de arritmias. Outros são a gasometria arterial e eletrólitos, a radiografia do tórax e a cineangiocardiografia.
As crianças recém-nascidas prematuras e filhas de mães diabéticas ou nascidas de cesariana com insuficiência cardíaca podem apresentar a chamada síndrome da angústia respiratória. Outro problema em recém-nascidos são as patologias do sistema nervoso central, além das manifestações neurológicas, como flacidez, espasticidade, convulsões e cianose secundária. Há ainda riscos de doenças metabólicas e de sofrimento intrauterino.
A insuficiência cardíaca impõem grandes limitações aos seus portadores, que são agravadas se não houver um tratamento precoce e correto. Em seus estágios mais avançados leva à morte do paciente.
O acompanhamento pré-natal e a observância dos cuidados indicados pelos médicos ao longo de toda a gravidez são fundamentais. Previna-se.